sábado, 24 de fevereiro de 2018

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Ajuda na identificação de abrigo pastoril na Serra Amarela


Recentemente, Jesús Costa, passou-me esta fotografia que mostra um abrigo pastoril na Serra Amarela. A fotografia está datada de 1937.

Eu não consigo identificar o abrigo e a única descrição disponível refere, "Construções circulares, Serra Amarela entre Lindoso e Vilarinho da Furna, 1937". Além disto acrescenta-se, "Fotografia: Eng. Pinto de Sá. Anotação na ficha: "em abóbada falsa, serve de abrigo a pastores", in Museu Nacional de Etnografia / Arquivo Centro de Estudos de Etnologia."

Alguém ajuda na sua identificação?

A epopeia dos mineiros dos Carris no Inverno de 1955


"O sr. engenheiro António Castilho, director de máquinas da Junta Autónoma de Estradas, dirigindo os serviços do corte de neve, em que foi utilizado um poderoso tractor".

Passados que são 63 anos desde os acontecimentos que aqui irei relatar de novo, resolvi republicar uma série de artigos que em Janeiro de 2008 e em Fevereiro de 2016 publiquei sobre este assunto.

A republicação é ainda mais premente tendo em conta as actuais previsões meteorológicas que apontam para um possível cenário de queda de neve extrema para os nossos padrões, nas Minas dos Carris em finais de Fevereiro e princípios de Março de 2018.

Estes artigos relatam duas situações interessantes: a primeira destas situações está relacionada com a forma como a Internet nos permite tomar conhecimento de factos que de outra forma apenas iriam surgir muito mais tarde num processo de investigação; a segunda está relacionada com os factos históricos que apesar de relatados à época, nos passam despercebidos nos nossos dias.

Assim, os textos destes artigos foram já publicados aqui no blogue, mas em Janeiro de 2008, e este facto é em si mesmo uma barreira para aqueles leitores que não altura não o eram, ou então que já se esqueceram destes textos.

Com a preciosa colaboração de José Manuel Rodrigues de Sousa e Carlos Sousa, tomei conhecimento da publicação de um artigo na revista 'O Século Ilustrado' que relatava uma odisseia vivida há muitos anos na Serra do Gerês e que até aqui desconhecia. Infelizmente os dados disponíveis sobre a data de publicação de tal artigo eram muitíssimo escassos. O artigo deveria ter sido publicado entre 1951 e 1958 e mergulhado numa pesquisa única na Internet que envolveu a análise dos registos meteorológicos disponíveis, acabei por me deparar com um artigo intitulado "Epopeia na Serra do Gerês" publicado no jornal 'O Século' e na revista 'O Século Ilustrado'.

Este artigo é acompanhado por uma série de fotografias que aqui reproduzo bem como os respectivos textos. Surge assim a épica história de duas centenas de homens que durante vários dias lutaram contra os elementos no alto da Serra do Gerês, uma história que agora mais uma vez vê a luz do dia e que serve de homenagem a esses homens há muito esquecidos mas que representam uma narração do nosso país.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assina a respectiva reportagem gráfica...

"Durante mais de uma semana, nevou intensa e continuadamente na serra do Gerês de tal maneira que, em alguns pontos, a camada branca chegou a atingir cerca de quatro metros de espessura, tornando impossível o trânsito de veículos e mesmo peões. A 1570 metros de altitude, nas minas de volfrâmio que pertencem à Sociedade das Minas do Gerês, Lda., os mineiros e o pessoal técnico e administrativo num total de cerca de duzentas pessoas ficaram isolados nas sua instalações, tornando-se problemática a situação que, de dia para dia, o estado do tempo lhes foi criando. Pelo telefone, uma vez que os fios resistiram ao peso da neve, foi sendo mantido contacto, até que as notícias se tornaram alarmantes: o pessoal, em especial os mineiros (que eram cento e vinte) estavam sem pão nem legumes, com escassa roupa e cada vez mais à mercê dos lobos que uivavam famintos, noite e dia, por aquelas redondezas. (...) uma brigada de socorro saiu de Leonte e percorreu em penosas circunstâncias os sete quilómetros que separam esta povoação de uma outra chamada Água da Pala, onde entrou em contacto com o pessoal dos Carris. Os mineiros tiveram de descer até ao ponto de contacto, ligados uns aos outros por uma corda e meio enterrados na camada de neve".


Parte do grupo que participou no resgate dos mineiros dos Carris

"Foram necessários oito dias de trabalho insano para desobstruir as vias de acesso às minas bloqueadas. Vinte e oito operários ofereceram-se para essa difícil tarefa, a fim de se conseguir passagem para uma camioneta carregada de pão, visto ser este o alimento que fazia mais urgente falta e não ser possível levar simultaneamente legumes e roupas. Após trabalho fatigante e perigoso, pôde a brigada fazer chegar a camioneta ao ponto combinado onde os mineiros esperavam, havia bastante tempo, sob um frio cortante e com receio de que não desse resultado o plano que se traçara".

Sem uma expedição de socorro realizada em finais de Fevereiro de 1955, os mineiros dos Carris arriscavam-se a ficar isolados até ao mês de Maio. A queda de neve tinha sido tão intensa que em certas zonas o manto branco atingiu uma espessura de seis metros.

O jornal "O Século" noticiou por várias vezes os esforços da missão de socorro e a revista "O Século Ilustrado" publicou em Março de 1955 uma reportagem fotográfica descrevendo a odisseia vivida na Serra do Gerês.


Percorrendo sete quilómetros a pé por zonas de intensa neve, a equipa de socorro que em finais de Fevereiro de 1955 foi enviada para transportar mantimentos para os mineiros dos Carris demorou quase quatro horas a percorrer a distância que a separava do ponto de encontro na Água da Pala.

"Quase quatro horas durou a heróica escalada daqueles sete quilómetros. Por fim viveu-se outra faceta da dramática e abnegada aventura: os mineiros tardavam a chegar ao ponto combinado e, dada a intensidade do nevão que caía e que tapava os sulcos abertos horas antes, receava-se que os homens se perdessem ou, ligados uns aos outros, perecessem todos na tragédia da queda em algum precipício encoberto. Quando o telefone retiniu com a boa nova da chegada, soltaram-se gritos de entusiástica alegria."


"Este camião abastecedor de gasóleo esteve retido nas minas durante doze dias. O pessoal que se encontra nas minas já está fora de perigo".

A expedição de socorro que partindo desde a Portela de Leonte, percorreu sete longos quilómetros em condições difíceis para levar artigos de primeira necessidade, tais como pão e legumes, para os mineiros dos Carris, foi organizada em condições difíceis. Os mineiros esperavam pela expedição da Água da Pala, ponto de encontro previamente combinado. No entanto, a descida até à Água da Pala foi uma proeza heróica com momentos de tensão. Os mineiros e outro pessoal da mina percorriam a estrada coberta por um espesso manto de neve, agarrados uns aos outros por cordas. Por vezes, e para elevar o ânimo de todos, os homens entoavam "A Portuguesa", lutando assim contra as terríveis condições que iam encontrando.




"Um aspecto das minas dos Carris, já depios de as portas das instalações mineiras terem sido abertas com pás, por estarem cobertas de neve".


"Os directores das Minas dos Carris, lendo as notícias publicadas pelo jornal «O Século» sobre a grande epopeia vivida no Gerês. Na Água da Pela encontravam-se numa corte muitas cabras e cabritos de poucos dias. Alguns dos animais estavam já mortos mas os operários da brigada de socorro puderam salvar os restantes, metendo-os na camioneta e transportando-os para Leonte, onde foram alimentados e postos ao abrigo do frio. Os trabalhos exteriores das minas estiveram paralisados, mas prosseguiram no subsolo. As várias oficinas da lavaria cessaram de funcionar por a água ter gelado nos tubos."

Fotografias: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (23 de Fevereiro a 3 de Março)


As previsões apontam para chuva, mesmo muita chuva, para a próxima semana e os modelos são quase para guardar para memória futura.

No facebook, a página Meteo Trás-os-Montes refere o seguinte, "(...) o modelo europeu (...) mostra um cenário épico de muita chuva e muita neve! As acumulações em Trás os Montes seriam brutais, o modelo vê neve à cota zero desde Cascais a Viana do Castelo, neve às portas de Lisboa (...), sem dúvida, um mapa de livro, para guardar! (...) Que interessante se está a por a coisa!"

As previsões para as Minas dos Carris seguem em linha com o que é referido: 42 cm de neve para dia 27 de Fevereiro e 49 cm (!) para dia 2 de Março. 

A próxima semana será bastante interessante!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCVIII) - Cascata das Negras


A Cascata das Negras esconde-se no fundo da Garganta das Negras, Serra do Gerês, logo abaixo do que resta da concessão mineira da Corga das Negras II que fazia parte das Minas dos Carris.

Fotografia: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCVII) - Lavaria Nova das Minas dos Carris


A Lavaria Nova das Minas dos Carris, Serra do Gerês, surge-nos ao longe como um castelo dissimulado por entre a paisagem granítica no topo da Corga de Lamalonga. Era o edifício com maior volumetria do complexo mineiro, tendo sido construído nos anos 50 do século XX.

Fotografia: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Revisitando o Trilho de Germil


Uma caminhada nas altitudes amenas da Serra Amarela, nomeadamente percorrendo e revisitando o Trilho de Germil.

O Trilho de Germil é um percurso circular de Pequena Rota que se inicia na aldeia de Germil, Ponte da Barca, e percorre as encostas da serrania perto da aldeia. Por entre antigos caminhos empedrados que guardam gravadas as marcas do tempo e dos tempos nos quais o homem tirava todo o seu sustento do trabalho no campo, assistir ao sair dos rebanhos de cabras e ver os pequenotes ao pinotes na corte, velhas casas que fazem lembrar tempos idos, paisagens de grandes espaços que se alargam para lá do Soajo, e carvalhais luxuriantes que compartem o bosque com a vegetação ripícula, o percurso é uma excelente escapatória para os rudes carreiros de montanha que muitas vezes percorremos no Parque Nacional.

A placa de início de percurso encontra-se junto da Igreja Matriz de Germil que nos leva a dirigir para o centro da aldeia até encontrar um outro conjunto de placas e as indicações da pequena rota.

Ao longo do percurso, e principalmente na sua parte inicial, podem-se introduzir pequenas variações que nos levam a visitar «novos» elementos não contemplados originalmente no percurso pedestre do Trilho de Germil, nomeadamente o Miradouro do Fragão, a Cascata Portavênse e o Prado Relva, introduzidos pela Péd'Rios e que em minha opinião trazem um valor acrescentado à jornada que nos propomos fazer. Um outro ponto de visita que não deve ser deixado de lado, é o recuperado Fojo de Germil localizado na margem esquerda do Rio de Germil.

Algumas fotografias do dia (o resto do album, aqui)
























 

Fotografias: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (19 a 27 de Fevereiro)


Apesar de ser uma previsão com muitos dias de antecedência, a neve pode voltar às Minas dos Carris entre 24 e 26 de Fevereiro.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCVI) - Represa das Minas dos Carris


A Represa das Minas dos Carris é um oásis em plena Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Perigo no início da Corga de Abelheira


Correio electrónico enviado ao PNPG...

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Ex.mos Senhores,

Não sendo uma situação da qual o PNPG é responsável, gostava de alertar para o perigo para pessoas e animais que a situação retratada nas duas fotografias em anexo mostram.

No início da Corga de Abelheira junto à conduta da EDP e estando o escoamento da água entupido nesta conduta que leva água para a albufeira de Paradela, cria-se um fosso do qual será complicado sair no caso de uma queda acidental neste local.

Assim, alerto para a situação que deve ser resolvida o mais depressa possível.

Com os melhores cumprimentos,


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

De eléctrico até ao Gerês


Mais uma vez recordando uma publicação anterior neste blogue e que nos leva de eléctrico até às Caldas do Gerês.

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Já aqui havia falado do projecto de se criar uma linha de comboio entre Braga e o Gerês. Porém, este não foi o único projecto pensado para melhorar os transportes até às serranias geresianas...

Os eléctricos circularam na cidade de Braga entre 18 de Outubro de 1914 (data da inauguração da primeira linha) e 22 de Maio de 1963.

A cidade estava atravessada por duas linhas: a primeira ligava a estação de caminho-de-ferro e o elevador do Bom Jesus, enquanto que a segunda linha (inaugurada a 30 de Junho de 1923) ligava a Ponte (S. João) e o Cemitério de Monte d'Arcos.

Para além destas duas linhas, surgiram projectos para a construção de outra linhas que ligassem a cidade de Braga a outras localidades no Minho. Segundo Joaquim da Silva Gomes, no seu livro "Os eléctricos em Braga (1914-1963)", pág. 95, "A 'Ilustração Portuguesa', de 2 de Novembro de 1914, noticiava que 'a tracção eléctrica foi há dias inaugurada com êxito notável, brevemente se devendo estenbder esse importantíssimo melhoramento a outra terras circunvizinhas, como Barcelos, Ponte de Limma, Villa Verde, Guimaráes e Gerez'".

Imagem: http://local.pt/portugal/norte/electricos-de-braga-mostram-se-em-s-vicente/

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (18 a 26 de Fevereiro)


Temperaturas baixas nos próximos dias nas Minas dos Carris, mas a precipitação só deve voltar no próximo fim-de-semana.